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Resenha – “A Meta”, de Eliyahu M. Goldratt – http://amzn.to/nExP1u

The GoalO livro “A Meta“, de Eliyahu Goldratt, é um clássico romance sobre a Teoria das Restrições, em que o gerente de uma fábrica, Alex Rogo, se vê numa situação em que sua fábrica corre o risco de ser fechada pela administração da empresa por não estar conseguindo atender às demandas do mercado. Com pedidos atrasados em meses e ritmo de trabalho nada sustentável para ele e seus funcionários, Rogo, com ajuda de um consultor Jonah, identifica melhorias que poderia implementar na fábrica para que o lead time (tempo entre o pedido feito por um cliente e a entrega do produto) caísse de alguns meses para poucas semanas, salvando a fábrica da falência e recebendo uma promoção que lhe permitiria aplicar seu método em todas as fábricas da divisão.

Rogo percebe que, apesar de a fábrica não estar gerando dinheiro (devido a pedidos atrasados, clientes insatisfeitos, excesso de horas extras e diversos outros problemas), havia equipes na empresa que celebravam o sucesso por terem atingido suas metas locais (por exemplo, alta produtividade numa etapa do processo de fabricação do produto final). Rogo percebe que a alta produtividade de uma equipe (não gargalo) que gerava insumo para uma segunda equipe (gargalo) não era benéfica para a fábrica, pois gerava um inventário desnecessário (e caro), uma vez que o processo desta segunda equipe era mais lento e não dava conta de processar este insumo. Assim, a fábrica comprava matéria prima num ritmo alto para manter a produtividade da primeira equipe, e, no entanto, não conseguia entregar o produto final devido ao ritmo da segunda equipe. Assim, definem-se dois tipos de recursos: recurso-gargalo (aquele recurso cuja capacidade é igual ou menor do que a demanda colocada nele) e recurso-não-gargalo (qualquer outro recurso cuja capacidade é maior que a demanda colocada nele).

A primeira mudança na gestão de Alex se dá ao perceber que todos na empresa devem estar focados no objetivo da empresa, que é gerar dinheiro, e que a otimização local de uma etapa do processo era prejudicial para a meta global da empresa. Assim, sua primeira missão foi identificar a meta da empresa (geração de dinheiro) e fazer com que todos os times trabalhassem para o mesmo objetivo, e não para otimizações locais.

Através de três conceitos apresentados por Jonah, Alex e sua equipe conseguem identificar como gerenciar melhor seu processo de produção e identificar a meta de qualquer empresa: reduzir a despesa operacional e o inventário aumentando simultaneamente o ganho, onde Ganho é índice pelo qual o sistema gera dinheiro através das vendas -, Inventário é todo o dinheiro que o sistema investiu na compra de coisas que ele pretende vender -, Despesa Operacional é todo o dinheiro que o sistema gasta a fim de transformar o inventário em ganho”.

Rogo e sua equipe identificaram os gargalos da empresa (duas etapas do processo de produção), e fizeram com que toda a fábrica trabalhasse no ritmo do gargalo, assim, só haveria realização de trabalho caso fosse possível entregar o produto final para o cliente, caso contrário, todo trabalho realizado teria sido desperdício. Assim, através da otimização dos processos-gargalo da fábrica, Rogo percebeu que os únicos processos que precisavam ser otimizados eram os processos-gargalo, uma vez que estes eram os responsáveis pela baixa produtividade da fábrica.

Não adiantava hora-extra, pressão ou equipamentos melhores em processos que não eram gargalo, uma vez que isso geraria custos e inventário, e não teria impacto algum sobre a redução do lead time da empresa, que é o que geraria o resultado no final. Rogo percebeu que mesmo a compra de robôs para automatizar determinados processos da fábrica não havia sido benéfica, pois otimizava processos que não eram o gargalos, e portanto geravam inventário que não era processado pelas etapas seguintes.

Após todas as melhorias iniciais implementadas, o gargalo da produção passa a ser o mercado (vendas),  o que permitiu que a produção da fábrica fosse puxada pela demanda, e não empurrada para o mercado. A principal diferença é que quando a demanda é empurrada para o mercado, há geração de inventário (custo); quando a demanda é puxada pelo mercado, a fábrica produz (custa) somente o que precisa para gerar a receita (vendas), ou seja, o processo é muito mais otimizado e não há desperdício.

Através de um processo de melhoria contínua, Alex e sua equipe conseguem reduzir o lead time, reduzir custos e provar seu método para a alta direção da empresa, que reconhece o sucesso da fábrica com a produção dos principais envolvidos. O processo de melhoria contínua baseia-se em

1. IDENTIFICAR a restrição do sistema
2. EXPLORAR a restrição do sistema
3. SUBORDINAR tudo o mais a decisão acima
4. ELEVAR a restrição do sistema
5. SE num passo anterior a restrição for quebrada, volte ao passo 1. MAS não deixar que a INÉRCIA se torne  a restrição do sistema.

E o que isso tudo tem a ver com o desenvolvimento de produtos?

A analogia da fábrica descrita no livro pode ser feita com qualquer tipo de organização, inclusive com o desenvolvimento de software. Alguns exemplos:

- não adianta cobrar velocidade de entrega de features da equipe de desenvolvimento se a equipe de Marketing não consegue manter os clientes e prospects informados de que essas features existem no produto. As features são feitas para que mais clientes comprem o produto, e se não for publicado que a feature existe foi lançada, eles não comprarão, e assim ter feito a feature representa inventário

- não adianta a equipe de experiência do usuário (UX) ou design definir o layout de 20 telas do produto em uma semana, se a equipe de desenvolvimento consegue entregar apenas 1 tela por semana. Muito provavelmente boa parte das telas irá mudar por demandas do produto e dos desenvolvedores, então seria muito melhor a equipe de UX/Design estar no mesmo ritmo dos desenvolvedores do que tão adiantada.

- não adianta o Gerente de Produtos definir as histórias e funcionalidades num ritmo muito maior que a implementação, pois o inventário gerado certamente precisará de feedback, e quando o gerente de produtos receber este feedback, provavelmente terá que alterar boa parte do que havia planejado. Assim, terá trabalhado à toa se seu planejamento se distanciar muito do ritmo de entregas da equipe de desenvolvimento.

Em resumo, é importante que os lotes de trabalho sejam pequenos, para que os ciclos de entrega possam ser curtos e feitos conforme a demanda do mercado, para que não haja desperdício e possa haver feedback no processo. Lotes grandes implicam em ciclos de entrega grandes, que geram inventário e tornam as mudanças de prioridade mais difíceis e caras de serem gerenciadas.

A leitura deste livro é extremamente esclarecedora e importante para qualquer um que gerencia uma empresa, de qualquer tipo!

Roadmap de Longo Prazo é apenas uma Referência

Muitos gerentes acreditam que, para dimensionar o trabalho de suas equipes e prever as mudanças com as quais terá que lidar ao longo do ano, é necessário saber qual o roadmap planejado para o produto. Como a função do Gerente de Produtos é definir e priorizar o roadmap do produto, logo, é função do Gerente de Produtos apresentar o roadmap de longo prazo para que os gerentes das equipes possam planejar suas equipes para isso ao longo do ano.

Considerando que o desenvolvimento de um produto é influenciado por uma série de variáveis, sendo a principal delas o feedback dos clientes, é praticamente impossível de se fazer um planejamento de longo prazo imutável. Isso porque o roadmap do Gerente de Produtos não é uma documentação detalhada de tudo que será feito no produto nos próximos meses. O objetivo do roadmap é, basicamente, servir de pauta para que ele possa fazer suas conversas com clientes, desenvolvedores e demais stakeholders do produto a fim de definir quais serão as próximas melhorias feitas no produto.

Durante o desenvolvimento de uma feature, é função do Gerente de Produtos pesquisar qual será a próxima feature a ser feita, com base no roadmap, no feedback dos clientes atuais, dos clientes em potencial e de todas as áreas envolvidas no desenvolvimento do produto. O roadmap é apenas uma referência da direção que o produto deve seguir no longo prazo, sujeito a mudanças constantes de acordo com o resultado de cada novo release.

O desenvolvimento de produto não é um projeto com começo, meio e fim, e, mais que isso, não deve ser um projeto de escopo fechado, em que o Gerente de Produtos define o que será feito e os outros simplesmente obedecem. Especialmente porque o grupo “os outros” inclui os clientes – que têm suas necessidades -, os desenvolvedores, que têm suas demandas – para implementar tal feature temos que melhorar a implementação de tal módulo -, a área de infra-estrutura tem suas demandas específicas – temos que migrar o servidor para outro data center para ter uma estrutura redundante de alta disponibilidade -, o mercado tem suas demandas específicas – o concorrente X vai entrar no mercado, temos que integrar nosso sistemas com o parceiro Y -, o Marketing tem suas demandas – a feature tal tem que estar pronta porque a campanha X precisa ir para o ar antes do Natal -, o Financeiro tem suas demandas – precisamos do relatório X para podermos pagar o imposto Y -, e assim para todos os envolvidos no produto.

Com tantas variáveis – todas elas fundamentais para a evolução do produto – não só é impossível ter um compromisso de longo prazo sobre o que irá acontecer com o produto, mas também é totalmente indesejável que exista este compromisso.

Se você precisa de parâmetros para fazer o planejamento de longo prazo, não utilize o roadmap como referência. O roadmap é que deve usar como referência os recursos e pessoas disponíveis para o desenvolvimento do produto, e, se isso não for satisfatório para a estratégia da empresa, a empresa deve definir se faz sentido ou não aumentar o investimento no desenvolvimento do produto.

O roadmap de longo prazo serve, principalmente, para que todos os stakeholders compartilhem da mesma visão do produto e saibam para onde o Gerente de Produto (que representa as demandas de todos e as prioriza conforme a estratégia da empresa) gostaria que o produto caminhasse no longo prazo.

Lição de Vida do Sílvio Santos, um dos maiores empreendedores do Brasil

Esse cara merece um livro!

Por que é necessário ter um Gerente de Produtos?

Desta vez vou definir a função do Gerente de Produtos por exclusão.

Se não fosse o Gerente de Produtos, quem deveria definir e priorizar o roadmap de um produto?

Equipe Comercial – Normalmente a equipe Comercial está preocupada com vendas (afinal, mais do que todos, seu rendimento fixo normalmente é baixo e o variável vinculado às vendas). Esta preocupação faz com que seja difícil recusar um cliente. Todo cliente é interessante e toda demanda vinda de cliente precisa entrar no produto. Todo cliente que não vai fechar porque falta uma determinada feature, COM CERTEZA fecharia se essa feature existia —- se fossem eles, o produto seria cheio de customizações, teria todas as features do mundo, teria pouca preocupação com usabilidade, e cada feature atenderia somente um único cliente. Não seria um produto, seria um Frankenstein :)

Equipe de Marketing – Normalmente a equipe de Marketing está preocupada com o que terá impacto na mídia. Mas não necessariamente o que aparece na mídia é a feature que o cliente precisa. A mídia divulga (pelo menos de forma espontânea) o que é diferente, o que chama atenção; mas não necessariamente o que é de fato útil. Dificilmente alguém bom de Marketing irá se entender com alguém de tecnologia, que precisa de definições mais detalhadas do que precisa fazer, e usa termos técnicos para explicar as possibilidades —- se fossem eles, o produto seria um show, talvez até vendesse muito, mas teria uma taxa de cancelamento bem alta.

Equipe de Desenvolvimento – A equipe de desenvolvimento normalmente gosta de algoritmos desafiadores, problemas complexos e projetos inovadores (ou se for uma equipe preguiçosa, gosta de poucos desafios e só das coisas bem simples!). Muito mais legal trabalhar a tecnologia mais nova, o banco de dados mais recente e investir um bom tempo no aprendizado disso. Mas precisa mesmo disso para entregar a solução que o cliente quer? —- se fossem eles, o produto seria uma obra de arte, que teria pouquissimos compradores, pois não necessariamente o problema do cliente precisa de muita complexidade técnica para ser resolvido.

Equipe de User Experience – normalmente quem trabalha com experiência do usuário é bastante perfeccionista. Não gosta de deixar nenhum detalhe de lado, e muitas vezes não sabe qual a complexidade de implementar algo que no protótipo fica lindo, mas que na prática é bem difícil de se implementar —- se fossem eles, o produto também seria uma obra de arte, mas para ficar tão perfeito, não ficaria pronto nunca ;)

Equipe de Suporte – normalmente está preocupada em reduzir seu custo operacional, e quer garantir a qualidade do atendimento. Quanto menos contatos de clientes na central, melhor. Vão colocar aquela feature? Melhor não, vai gerar chamados. Vão tirar aquela feature? Melhor não, vai gerar ligações. Vão fazer aquela campanha? Melhor não, vai gerar contatos —- se fossem eles, o ideal seria o produto ficar como está, e somente correções de bugs seriam implementadas.

O que está faltando? Alguém que faça o meio de campo entre todas estas áreas (e outros stakeholders envolvidos), e, com base em seu conhecimento dos clientes e do mercado, priorize e defina o que de fato precisa ser feito. Geralmente todos sabem o que precisa ser feito, mas poucos sabem priorizar. E poucos tem a coragem de dizer não:

- há clientes que não queremos atender porque implementar o que ele precisa exigirá uma customização que não faz sentido para os outros 9999 clientes.
- há funcionalidades que vão fazer os clientes se manterem clientes, mesmo que não gere buzz na imprensa.
- há funcionalidades que podem ser bem simples, mesmo que não seja necessário Phd em algoritmos para serem resolvidas
- há melhorias de navegação que podem ficar para depois, mesmo que seria bem mais fácil de usar o produto se fosse de outro jeito.
- há features que vão gerar receita maior que o custo operacional de atendimento, mesmo que seja necessário contratar uma pessoa a mais para o atendimento

Sim, estou sendo extremista, mas alguém precisa pesar todas estas variáveis. E se for alguém de qualquer uma dessas equipes, provavelmente ela não estará fazendo bem o seu trabalho direto e estará sendo o Gerente de Produtos.

Portanto, defina alguém que tenha esta função, e dê-lhe autonomia para assumir a responsabilidade pelo produto, e dizer NÃO com segurança, autonomia e responsabilidade.

Atendimento e Redes Sociais

Na última semana tive duas experiências bem desagradáveis com Centrais de Atendimento. Nem sempre o Gerente de Produtos tem autonomia sobre como será feito o atendimento para seu produto, especialmente em empresas maiores em que há uma área de atendimento bem definida, ou separada do dia a dia do desenvolvimento de produtos. Mas é importante que ele levante as questões para que não passem batidas.

Vou citar os dois exemplos que passei:

- Migrei no começo do ano o plano individual da NET para o plano coletivo. Durante anos paguei o plano individual, e obviamente nunca foi interesse da NET me contar que meu prédio tinha a opção de plano coletivo, já que o plano coletivo é mais barato. Mas ainda assim, eu descobri! Conseguir a migração foi um processo que levou uns 2 meses, e várias horas no telefone. Cada um que me atendia falava coisas diferentes, preenchia o sistema errado e me dava informações conflitantes. Mesmo depois de ameaçar cancelar em vez de migrar, o atendimento deles se confundiu. Enfim, o saldo é que migrei de plano depois de uns 2 meses, só que logo no mês seguinte começaram a me cobrar por um ponto adicional, que não era cobrado antes, e nunca haviam dito que ao migrar para o plano coletivo o ponto adicional era cobrado por fora. De novo, liguei reclamando. A atendente disse que era para ser cobrado mesmo, que iria investigar, ouvir as conversas gravadas (acreditar em mim, pra que?), e que se alguém tivesse me prometido isso, veria se poderia cumprir a promessa e me dar a isenção. Fiquei bravo com a resposta. Twittei reclamando. Poucos minutos depois me ligaram, pediram desculpas e me deram a isenção que eu queria.

- Eu tinha um financiamento imobiliário no Unibanco, que agora virou Itaú. Mandei minha documentação para a Central para usar o FGTS para reduzir o valor da dívida, e, quando recebi o aviso de entrega dos Correios, liguei na Central para saber se estava tudo certo com a documentação. Quando ligo lá, disco meu número de conta e senha, e a pessoa que me atende diz que meu contrato não foi encontrado e que eu deveria ir na revenda (detalhe: nem sei o que é revenda!). Eu insisto que tenho um financiamento com eles, que já fiz esta mesma operação há 2 anos atrás, mas de nada adianta. A moça responde brava que eu deveria ir na agência ou na ‘revenda’ (detalhe: com a mudança para Itaú, minha agência já nem é mais a mesma). Não tive dúvidas: twittei. Logo entraram em contato comigo, acharam meu contrato na hora, me pediram 5 dias úteis para ter a resposta porque a documentação havia acabado de chegar e que iriam acompanhar o caso para conferir que a Central me avisaria quando tivesse uma resposta. Tudo perfeito.

O que eu aprendi destes dois casos? Que as Centrais de Atendimento destas duas empresas atendem mal e não estão nem aí para o cliente. Mas que as área de Marketing / Redes Sociais destas empresas não querem que os clientes falem mal delas em público, então, para compensar o mal atendimento, eles têm autonomia para fazer mais que a Central de Atendimento. Ou seja, para ser bem atendido, fale mal da empresa – em público. Provavelmente, quanto mais followers você tiver no Twitter e no Facebook, melhor será atendido. Aprendi. Da próxima vez nem ligo na Central, já saio falando mal que sei que terei um atendimento muito melhor e meu problema será resolvido na hora!

Será que as áreas responsáveis por Produtos, Atendimento, Marketing, Estratégia destas empresas se falam???? Fica a dica: as áreas tem que se falar!!!

Não despreze seus primeiros clientes (ou melhor, seus clientes já existentes)

Quando você desenvolve um produto web, as primeiras versões que você coloca em produção, seja para um beta test, seja no lançamento de fato, a única certeza é que as coisas vão mudar.

Ao lançar um produto, você certamente não terá todas as features de que gostaria, e já sabe o que pretende mudar logo depois do lançamento; os primeiros feedbacks de clientes lhe darão novas idéias; ou ainda você irá descobrir que o modelo de negócios que havia pensado inicialmente não traz os resultados que você esperava e precisa ser revisto.

Lembre-se, os primeiros clientes, muito provavelmente, sabem que são os primeiros clientes, e, ao usarem seu produto, estão fazendo uma aposta que seu produto será bom e irá atender suas necessidades. Possivelmente eles mudarão algo em seu processo de trabalho para se adaptar a seu produto, e portanto merecem todo o respeito por isso.

Se você for alterar a forma de funcionamento de algo, mesmo de algo que estava quebrado antes, não se esqueça de que muito provavelmente você já tem clientes que encontraram maneiras de usar a feature, mesmo que ela não esteja funcionando como você gostaria. Ao “melhorar” algo, preocupe-se com o impacto que isto isto irá gerar naqueles que estão usando a feature. Mesmo coisas pequenas têm impacto e se adaptar a elas pode gerar frustração em seu usuário, que ficará mais propenso a procurar outras alternativas no mercado.

Já ouvi casos de melhorias visuais em sites, como reorganização de botões ou mudanças no fluxo de navegação, que realmente eram melhorias significativas na ferramenta. E alguns minutos depois da publicação das melhorias já havia clientes reclamando que tinham acabado de treinar seus usuários e que aquela alteração implicaria em ter que preparar um novo treinamento e aplicá-lo para diversos usuários, gerando custos inesperados e retrabalho. E isso que a mudança foi para melhor!

Imagine se alguma mudança que você quer fazer não tenha o resultado esperado, você simplesmente transformou seus clientes em cobaias de um experimento mal sucedido. O risco de perdê-los fica altíssimo, e isso certamente não é o seu objetivo!

“Different” – Como evitar que a busca pela Diferenciação torne todos iguais, por YoungMe Moon, #BoS2010

Uma das palestras mais interessantes da BoS2010 foi da Professora Youngme Moon, da Harvard Business School.

Em sua apresentação, Youngme Moon explicou que geralmente as empresas procuram se diferenciar de seus concorrentes incrementando seus produtos com novas versões e novas características.

Um exemplo são as dezenas (centenas?) de marcas de água ou refrigerante expostas aos consumidores nos supermercados. Cada empresa tem diversos argumentos para dizer porque sua bebida é diferente das outras, e realmente acredita nisso. No entanto, apenas os consumidores especialistas e conhecedores de uma determinada categoria entendem e consideram as diferenças entre os produtos; para os demais, estas diferenças acabam sendo irrelevantes, e quanto mais variedades o consumidor tiver a sua disposição, mais parecidas todas elas lhe parecerão.

As boas práticas de Marketing e Desenvolvimento de Produtos estão começando a sair pela culatra. Todos foram ensinados a monitorar a concorrência e a ouvir os clientes. O problema é que os clientes sugerem o que fazer para melhorar (muitas vezes usando os concorrentes como referência), mas não como fazer para se diferenciar; E monitorar os concorrentes nos deixa instigados a equiparar nossos produtos aos deles. Seguindo à risca estas boas práticas, criamos um mercado de produtos iguais.

Por exemplo, caso uma pesquisa de mercado apresente o resultado abaixo, a reação provável da empresa será investir em melhorar os pontos em que está abaixo da média, e reduzir o investimento nos pontos em que está acima da média:

Se todas as empresas fizerem isso, com seus pontos positivos e negativos, o que vai acontecer? Todas ficarão iguais. Uma reação menos intuitiva seria a empresa investir ainda mais nos pontos em que está acima da média, e não dar importância para os que estão abaixo. Isso a tornará diferente do mercado:

Não que seja a solução perfeita, e não para todos os casos, mas por que não arriscar um pouco mais e ser de fato diferente?

Alguns vão alguns exemplos de empresas que fizeram isso, e conseguiram sucesso sendo diferentes.

Ikea
As pessoas geralmente não gostam de ir comprar móveis, e por isso móveis são bens que as pessoas compram esperando que tenham alta longevidade. Os vendedores de móveis são treinados para facilitar a compra, tentam ajudar os compradores dando alternativas de medidas, financiamentos, cores, etc. As pessoas tem várias alternativas para escolher, de modo que as empresas acreditam que estão atendendo bem a todo o mercado com suas alternativas. Resultado: as pessoas ficam confusas e não gostam da experiência de comprar móveis. A Ikea assumiu uma posição diferente, dizendo não. Há poucas variedades, você mesmo monta os móveis e você que leva para casa. Há um espaço de recreação para as crianças que vão com os pais. Não há confusão na cabeça do cliente, e tem feito muito sucesso.

Mini
Em 2002, os americanos estavam no auge de seu amor por carros grandes, SUVs. Um novo conceito de carro quis entrar no mercado, o mini Cooper. Ao invés de tentar conquistar o público tentando fazê-lo se parecer com o que havia no mercado (poderiam ter dito ‘pequeno por fora, grande por dentro’, ou coisas do genêro), optaram por reforçar o que pareceria ser a característica negativa do carro, seu tamanho. Focando no que parecia ser o lado negativo do carro, o carro teve sucesso no mercado americano.

Twitter
Quando o Twitter começou, todas criticaram / estranharam a limitação de 140 caracteres por mensagem. Acostumados com mensagens longas, e-mails, comunicação instantânea, as pessoas não entenderam o motivo da limitação de 140 carácteres. Ao não ouvir os clientes, o Twitter revolucionou criando uma nova forma de comunicação.

Google
Quando o Google surgiu, os mecanismos de busca estavam se transformando em portais, com notícias, aplicações adicionais e telas bastante poluídas. O Google foi no caminho contrário, e criou uma interface clean, em que não havia nada além da caixa de busca. Indo no caminho contrário do mercado, tornou-se líder em pouco tempo.

Enfim, ser diferente é fundamental para seu produto se destacar e ser um sucesso no mercado. Mas não há uma fórmula mágica para ser diferente. Cada produto, cada empresa, em cada mercado, em cada momento devem ser criativos. Algumas vezes dizer não e ir contra o mercado, algumas vezes dizer não ir contra o que dizem os consumidores. Outras vezes, limitar opções, outras ainda, ampliar as opções, mas escolher quais as opções certas. Não há um caminho certo, mas ele deve ser seguido!

Sua palestra foi baseada em seu livro, Different: Escaping the Competitive Herd, que apresenta vários exemplos de empresas que se tornam iguais aos seus concorrentes tentando se diferenciar, e de outras que foram bem sucedidas nesta missão. O livro é muito bom e vale a pena ser lido por todo aquele que trabalha com estratégia, desenvolvimento de produtos e marketing.

E aqui um post na HBR que apresenta as idéias da professora.

Não desisti deste blog!

Pessoal,

Dou apenas um sinal de vida para avisar que não desisti deste blog!

Ando numa fase bem corrida no trabalho e em casa, e acabo ficando sem tempo.

Ainda vou consolidar as anotações da Business of Software (conferência que mencionei em posts anteriores), e também estou lendo livros interessantes que foram distribuidos na conferência, para comentar aqui.

Por enquanto, ando mais ágil pelo Twitter, então podem me seguir por lá: twitter.com/dovb

Abs
Dov

Dica de Livro: The 42 Rules of Product Management

Este eu ainda não tive a oportunidade de ler, mas dada a lista de autores e o conteúdo dos textos/regras que eles apresentam, a leitura só pode ser interessante!

1. ‘Rules Are Meant To Be Broken‘ by Greg Cohen, Senior Principal Consultant, 280 Group

2. ‘Work on Products You Are Passionate About’ by Brian Lawley, CEO and Founder, 280 Group

3. ‘Beware the Requirements Death Spiral’ by Greg Cohen, Senior Principal Consultant, 280 Group

4. ‘Think Like an Entrepreneur’ by Linda Gorchels, Director of Executive Marketing Education, Wisconsin
School of Business and author of The Product Manager’s Handbook

5. ‘Learn to Say “No” to Customers’ by Ivan Chalif, Blogger, The Productologist

6. ‘Product Management is Inherently Political’ by Rich Mironov, Author, The Art of Product Management

7. ‘There Is a Fine Line Between Knowing It All and Being a Know-It-All’ by Alyssa Dver, CEO, Mint Green
Marketing

8. ‘Market Research Must Be Actionable’ by Luke Hohman, Founder and CEO, The Innovationn Games Company

9. ‘The Two-Week Rule’ by Marty Cagan, Author, Inspired

10. ‘Focus on the Needs of Your Market, Not Just Individual Requests from Individual Customers’ by Jeff Lash, Blogger, How to Be a Good Product Manager

11. ‘No Surprises’ by Jim Reekes, Senior Principal Consultant, 280 Group

12. ‘Be Data-Driven by the Consumers of Your Product’ byKevin Epstein, Author, Marketing Made Easy

13. ‘90-360-3‘ by Dan Torres, Senior Director of Global Product Management, Kensington Computer Products

14. ‘Open Up More Possibilities by Bringing Creativity into Your Role as a Product Manager‘ by Natalie
Yan-Chatonsky, Product Management Consultant, brainmates pty ltd

15. ‘Get Your Hands Dirty’ by John Cook, VP of Consumer PC Marketing, Hewlett Packard Company

16. ‘Get Out of the Office’ by Paula Gray, Applied Cultural Anthropologist, AIPMM

17. ‘You Do Not Own Your Product’ by Linda Merrick, Founder, Pivotal PM

18. ‘Carve Out “Think” Time’ by Adrienne Tan, Director, brainmates pty ltd

19. ‘Get the Market Segmentation Right!’ by David Fradin, Senior Principal Consultant, 280 Group

20. ‘Clarify Your Product Positioning before Your Next Important Decision‘ by Fritz Mueller, Senior Director of Product Management, i365

21. ‘Clearly Define and Align Your Roles and Responsibilities’by Tom Evans, Principal Consultant, Lucrum
Marketing

22. ‘Write It Down!’ by Sarah Rosenbaum Gaeta, Senior Director of Content Product Management &
Sales Enablement, Plastic Logic

23. ‘Make Sure You Have Clear Priorities’ by Dan Olsen, Co-Founder and CEO, YourVersion

24. ‘Salespeople Don’t Just Want to Make Lots of Money’ by Dave Dersh, VP of Consulting and Training, 280 Group

25. ‘Create a Culture of Openness‘ by Erick Krock, Chief Marketing Officer, Voximate

26. ‘Align Your Product Strategy with the Company Strategy–Then Sell It!’ by Mara Kreips, Founder, Pivotal PM

27. ‘Short, Standardized Cycle Times Drive Predictability’ byJames Moorehead, VP of Product
Management,Support.com

28. ‘Find Market Problems Worth Solving’ by Nick Coster, Director, brainmates pty ltd

29. ‘A Business Is Not a Democracy‘ by Phil Burton, Senior Principal Consultant, 280 Group

30. ‘Agility Is Key to Product Management Success‘ by Matthew Bookspan, Director of Product Management, Voxeo

31. ‘Tap Into Your Customers‘ by Jen Berkley, Founder, The Insight Advantage

32. ‘Determine Your Marketing Approach Early–and Wisely’by Barbara Rice, Senior Principal Consultant, 280 Group

33. ‘Let the Customer End the Debate’ by Noel Adams, President, Clearworks

34. ‘Differentiation Isn’t Enough, You Have to Be Better‘ by Paul Alexander Gray, Consultant, brainmates pty ltd

35. ‘Act Like a Child’ by Michaela Zwinakis, VP of Solution Management, Governance Risk, and Compliance Solutions, SAP

36. ‘Decide What You Are Going to–and Not Do’ by Mike Freier, Senior Principal Consultant, 280 Group

37. ‘Establish Trust and Leadership’ by Developing Good Relationships with Team Members and Fostering Communication across Functions by Howard Rosenfield, Founder and Principal Consultant, Matanzas Creek Consulting, LLC

38. ‘Great Execution Trumps a Great Product Idea’ by Janet George, Director of Research Engineering, Yahoo! Research

39. ‘Be All You Can Be’ by Reena Kapoor, Founder and Chief Strategist, Conifer Consulting

40. ‘I Can See Clearly Now: The Transformational Power of Transparency’ by Christine Crandell, Senior Vice President of Global Marketing, Accept Software

41. ‘Always Be Learning‘ by Therese Padilla, Co-Founder and President, AIPMM

42. ‘These Are Our Rules. What Are Yours?‘ by Greg Cohen, Senior Principal Consultant, 280 Group

Gerente de Produtos Bom, Gerente de Produtos Ruim (Ben Horowitz) – via @henriquemacedo

Recentemente li um material escrito por Ben Horowitz, atualmente venture capitalist no Valley do Silicio (Foursquare, entre outros investimentos). Em 1996, ele era Diretor de Gestão de Produtos na Netscape, e mandou o texto abaixo para sua equipe de Gerentes de Produto. Embora ele ache que talvez o documento não seja relevante para os Gerentes de Produto de hoje em dia, quinze anos depois, não tenho certeza de que todos os Gerentes de Produto do mercado tenham ‘ultrapassado esta fase’.

A tradução é do @henriquemacedo, que é responsável por levar os produtos da Locaweb para o mercado internacional. Obrigado, Macedo!

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Bons gerentes de produtos conhecem o mercado, o produto, a linha de produtos, e a concorrência extremamente bem e operam a partir de uma sólida base de conhecimento e confiança. Um bom gerente de produto é o CEO do produto. Bons gerentes de produtos aceitam total responsabilidade e medem-se em termos do êxito do produto. Eles são responsáveis pelo produto certo/hora certa e tudo que advém disto. Um bom gerente de produtos conhece o contexto desde o início (a empresa, o financiamento da receita, a concorrência, etc.) e assume a responsabilidade por criar e executar um plano vencedor (sem desculpas).

Gerentes de produtos ruins têm muitas desculpas. Falta financiamento, o gerente de engenharia é um idiota, a Microsoft tem 10 vezes mais engenheiros trabalhando na sua versão do produto, eu estou sobrecarregado, eu não tenho direção suficiente. [O CEO da Netscape] Barksdale não usa este tipo de desculpa e nenhum CEO de determinado produto deveria fazê-lo.

Bons gerentes de produtos não deixam todo o seu tempo ser absorvido pelas diversas organizações que têm que trabalhar juntas para entregar o produto certo na hora certa. Eles não usam todo o tempo da equipe de produtos e não atuam como gerentes de projetos das diversas funções; eles não são o “gopher”* da engenharia. Eles não são parte da equipe de produtos; eles gerenciam a equipe de produtos. Equipes de engenharia não consideram Bons Gerentes de Produtos como “recursos de marketing”. Bons gerentes de produtos são a contrapartida de marketing do gerente de engenharia. Bons gerentes de produtos definem claramente o “que” (ao contrário de definir o “como”) e gerenciam a entrega do “que”. Gerentes de produtos ruins se sentem melhor se descobrirem “como”. Bons gerentes de produtos se comunicam claramente com a engenharia, tanto por escrito quanto verbalmente. Bons gerentes de produtos não dirigem informalmente. Bons gerentes de produtos coletam informações informalmente.

Bons gerentes de produtos criam materiais de apoio, FAQs, apresentações e “white papers” que podem ser alavancados. Gerentes de produtos ruins reclamam de passar o tempo todo respondendo a perguntas da força de vendas e de estarem atolados. Bons gerentes de produtos antecipam as falhas graves do produto e constroem soluções reais. Gerentes de produtos ruins apagam incêndios o tempo todo. Bons gerentes de produtos tomam posições por escrito em questões importantes (balas de prata competitivas, escolhas difíceis de arquitetura, decisões duras de produtos, mercados a atacar ou a deixar). Gerentes de produtos ruins vociferam suas opiniões e lamentam que as “forças superiores” não deixam as coisas acontecerem. Quando falham, os gerentes de produtos ruins apontam que já haviam previsto que falhariam.

Bons gerentes de produtos focam equipe em receita e clientes. Gerentes de produtos ruins focam a equipe em quantos “features” a Microsoft está criando. Bons gerentes de produtos definem bons produtos que podem ser executados com um bom esforço. Gerentes de produtos ruins definem bons produtos que não podem ser executados ou deixam a engenharia criar o que quiser (ou seja, resolver o problema mais difícil).

Bons gerentes de produtos pensam em termos de entregar valor superior ao mercado durante o planejamento “para dentro”, e em termos de adquirir participação de mercado e de metas de receita durante o planejamento “para fora”. Gerentes de produtos ruins ficam muito confusos com as diferenças entre entregar valor, equiparar “features” competitivas, precificação e alcance. Bons gerentes de produtos decompõem problemas. Gerentes de produtos ruins juntam todos os problemas em um só.

Bons gerentes de produtos pensam na história que querem que a imprensa escreva. Gerentes de produtos ruins pensam em cobrir todas as “features” e em serem tecnicamente precisos com a imprensa. Bons gerentes de produtos fazem perguntas à imprensa. Gerentes de produtos ruins respondem a todas as perguntas da imprensa. Bons gerentes de produtos assumem que gente da imprensa e analistas são inteligentes. Gerentes de produtos ruins acham que a imprensa e os analistas são burros porque não entendem a diferença entre “push” e “simulated push”.

Bons gerentes de produtos pecam do lado da clareza ou invés de ficar explicando o óbvio. Gerentes de produtos ruins nunca explicam o óbvio. Bons gerentes de produtos definem seu trabalho e seu êxito. Gerentes de produtos ruins querem que alguém lhes diga o que fazer.

Bons gerentes de produtos enviam seus relatórios de andamento dentro do prazo toda semana, porque têm disciplina. Gerentes de produtos ruins esquecem de mandar seus relatórios de andamento no prazo, porque não dão valor à disciplina.

Ben Horowitz
Diretor da Gestão de Produtos
Verão de 1996

N. do T.: Gopher é um protocolo de redes de computadores que foi desenhado para distribuir, procurar e acessar documentos na Internet de forma hierárquica, semelhante a uma estrutura de pastas, criado na Universidade de Minesota.
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Material original em inglês: Good Product Manager, Bad Product Manager