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“Different” – Como evitar que a busca pela Diferenciação torne todos iguais, por YoungMe Moon, #BoS2010

Uma das palestras mais interessantes da BoS2010 foi da Professora Youngme Moon, da Harvard Business School.

Em sua apresentação, Youngme Moon explicou que geralmente as empresas procuram se diferenciar de seus concorrentes incrementando seus produtos com novas versões e novas características.

Um exemplo são as dezenas (centenas?) de marcas de água ou refrigerante expostas aos consumidores nos supermercados. Cada empresa tem diversos argumentos para dizer porque sua bebida é diferente das outras, e realmente acredita nisso. No entanto, apenas os consumidores especialistas e conhecedores de uma determinada categoria entendem e consideram as diferenças entre os produtos; para os demais, estas diferenças acabam sendo irrelevantes, e quanto mais variedades o consumidor tiver a sua disposição, mais parecidas todas elas lhe parecerão.

As boas práticas de Marketing e Desenvolvimento de Produtos estão começando a sair pela culatra. Todos foram ensinados a monitorar a concorrência e a ouvir os clientes. O problema é que os clientes sugerem o que fazer para melhorar (muitas vezes usando os concorrentes como referência), mas não como fazer para se diferenciar; E monitorar os concorrentes nos deixa instigados a equiparar nossos produtos aos deles. Seguindo à risca estas boas práticas, criamos um mercado de produtos iguais.

Por exemplo, caso uma pesquisa de mercado apresente o resultado abaixo, a reação provável da empresa será investir em melhorar os pontos em que está abaixo da média, e reduzir o investimento nos pontos em que está acima da média:

Se todas as empresas fizerem isso, com seus pontos positivos e negativos, o que vai acontecer? Todas ficarão iguais. Uma reação menos intuitiva seria a empresa investir ainda mais nos pontos em que está acima da média, e não dar importância para os que estão abaixo. Isso a tornará diferente do mercado:

Não que seja a solução perfeita, e não para todos os casos, mas por que não arriscar um pouco mais e ser de fato diferente?

Alguns vão alguns exemplos de empresas que fizeram isso, e conseguiram sucesso sendo diferentes.

Ikea
As pessoas geralmente não gostam de ir comprar móveis, e por isso móveis são bens que as pessoas compram esperando que tenham alta longevidade. Os vendedores de móveis são treinados para facilitar a compra, tentam ajudar os compradores dando alternativas de medidas, financiamentos, cores, etc. As pessoas tem várias alternativas para escolher, de modo que as empresas acreditam que estão atendendo bem a todo o mercado com suas alternativas. Resultado: as pessoas ficam confusas e não gostam da experiência de comprar móveis. A Ikea assumiu uma posição diferente, dizendo não. Há poucas variedades, você mesmo monta os móveis e você que leva para casa. Há um espaço de recreação para as crianças que vão com os pais. Não há confusão na cabeça do cliente, e tem feito muito sucesso.

Mini
Em 2002, os americanos estavam no auge de seu amor por carros grandes, SUVs. Um novo conceito de carro quis entrar no mercado, o mini Cooper. Ao invés de tentar conquistar o público tentando fazê-lo se parecer com o que havia no mercado (poderiam ter dito ‘pequeno por fora, grande por dentro’, ou coisas do genêro), optaram por reforçar o que pareceria ser a característica negativa do carro, seu tamanho. Focando no que parecia ser o lado negativo do carro, o carro teve sucesso no mercado americano.

Twitter
Quando o Twitter começou, todas criticaram / estranharam a limitação de 140 caracteres por mensagem. Acostumados com mensagens longas, e-mails, comunicação instantânea, as pessoas não entenderam o motivo da limitação de 140 carácteres. Ao não ouvir os clientes, o Twitter revolucionou criando uma nova forma de comunicação.

Google
Quando o Google surgiu, os mecanismos de busca estavam se transformando em portais, com notícias, aplicações adicionais e telas bastante poluídas. O Google foi no caminho contrário, e criou uma interface clean, em que não havia nada além da caixa de busca. Indo no caminho contrário do mercado, tornou-se líder em pouco tempo.

Enfim, ser diferente é fundamental para seu produto se destacar e ser um sucesso no mercado. Mas não há uma fórmula mágica para ser diferente. Cada produto, cada empresa, em cada mercado, em cada momento devem ser criativos. Algumas vezes dizer não e ir contra o mercado, algumas vezes dizer não ir contra o que dizem os consumidores. Outras vezes, limitar opções, outras ainda, ampliar as opções, mas escolher quais as opções certas. Não há um caminho certo, mas ele deve ser seguido!

Sua palestra foi baseada em seu livro, Different: Escaping the Competitive Herd, que apresenta vários exemplos de empresas que se tornam iguais aos seus concorrentes tentando se diferenciar, e de outras que foram bem sucedidas nesta missão. O livro é muito bom e vale a pena ser lido por todo aquele que trabalha com estratégia, desenvolvimento de produtos e marketing.

E aqui um post na HBR que apresenta as idéias da professora.

Dicas de sucesso para empreendedores, por Dharmesh Shah, da HubSpot, na #BoS2010

Muitas empresas alegam ter dificuldade para identificar o custo de aquisição de clientes (COCA – cost of customer acquisition) e não percebem que é muito mais caro conquistar novos clientes do que manter pagantes seus clientes antigos. Na verdade, este cálculo é bem simples, e fundamental para entender a viabilidade de seu negócio.

O COCA é soma de sua verba de marketing (incluindo salários, patrocínios, campanhas, anúncios, desenvolvimento de site, etc) com a verba de sua área comercial (salários, comissōes, despesas), dividida pelo número de novos clientes no período.

O valor ao longo do tempo de vida do cliente em sua empresa (LTV – life time value) é o tempo médio em que um cliente permanece seu cliente multiplicado pela receita gerada por este cliente ao longo deste tempo período (ARPU – average revenue per user).

Para saber se seu negócio tem potencial, ou se você está alocando bem seus recursos entre o marketing (que trará novos clientes) e o desenvolvimento/manutenção de produtos (que evoluirá seus produtos e impedirá que clientes os abandonem), o LTV deve ser maior que o COCA.

Velocidade das vendas é a taxa com que novos clientes contratam seu serviço.

Calcule também seu churn, sua taxa de perda de clientes (e de receita) ao longo do tempo. A ausência de churn representa a presença de satisfação de seus clientes! A satisfação dos clientes é o que garante o sucesso de seu negócio no longo prazo.

Ao mexer em qualquer uma das três variáveis: COCA, LTV ou velocidade das vendas, geralmente você prejudicará as outras duas. O equilíbrio é difícil de ser alcançado.

Não se preocupe em melhorar apenas seu produto, procure melhorar a experiência completa associada ao seu produto. (ex: se você é uma empresa de hospedagem de sites, não basta ter tecnicamente um ótimo serviço: preocupe-se com o registro de dominio, com os profissionais que desenvolvem sites, com o o negócio de seus clientes – que peecisa ser bem sucedido para que eles queiram manter seus sites, etc).

Crie um indice para medir a felicidade do cliente e compartilhe com todos na empresa. Ele representa a chance de um cliente que poderia cancelar o serviço não fazê-lo. Defina este indice com base na frequência de uso do produto, na forma de uso, no uso de alguma funcionadade que indique satisfação, etc).

Os clientes não precisam (nem devem ter poder de veto em sua empresa, mas deve sempre ser ouvidos. Não tome decisōes que serão boas para a empresa mas ruins para o cliente; seu negócio não se sustentará!

“Inclua sempre as baterias” – não frustre seu cliente logo após ele contratar seu serviço, assim como crianças se frustram ao ganharem um presente que vem sem pilhas inclusas!

Não crie produtos melhores; faça seus clientes melhores com seu produto (não faça cameras melhores, torne seus clientes melhores fotográfos). É isto que os deixará mais felizes com seu produto.

Não considere que serviços ou suporte técnico são apenas custos e deixe-os de lado. Eles ajudam diretamente a aumentar o LTV.

Pense grande, execute em pequenos passos!

* Dharmesh é fundador da HubSpot, Autor do blog ontartups.com e do livro Inbound Marketing.

#BoS2010 – Seth Godin – Competência não é mais um recurso escasso

Seth Godin é um empreendedor e autor de diversos livros na área de Marketing (todos, diga-se de passagem, muito bons – e alguns deles que já li estão recomendados na seção de dicas de livros deste blog). Sua palestra era das mais esperadas do evento, e diversas pessoas estavam ali especialmente para assistí-la.

Seth falou bastante sobre a importância de os produtos web fazerem com que as pessoas interajam em rede, e formem tribos, conforme ele descreve em seu livro Tribes. Segundo ele, idéias que se espalham naturalmente na rede são as idéias que vencem.

Hoje em dia, competência não é mais um bem escasso. Ser um programador brilhante não é mais suficiente para se ter sucesso. Sempre haverá alguém mais competente. Antigamente, software bom era software que funcionava. Hoje em dia, software que funciona é o padrão, o software por si só não é suficiente para representar sucesso.

Também não há manual de instruções para o sucesso, se você seguir as instruções de outros, certamente irá falhar. O que dá certo para um negócio, não funcionará para outro.

O Marketing mudou. Antes, você criava uma boa imagem para seu produto, e fazia um broadcast de sua mensagem para o público. Esta foi a era pré-Internet. Atualmente o público interage, com você e entre si. Para vender seu produto é preciso encontrar um grupo de pessoas que estejam engajadas com seu produto, pessoas que queiram ‘vender’ seu produto.

As pessoas não estão mais interessadas em coisas que resolvam seus problemas, mas sim em coisas para acreditar. As pessoas gostam de fazer o que as outras pessoas fazem. As pessoas querem, desejam e precisam pertencer a uma “tribo” (grupo de pessoas que compartilham das mesmas crenças) e estão em busca de líderes. Hoje em dia, gestão de marketing equivale à liderança da tribo. Não é necessário dinheiro para isso, apenas boas idéias e boas ações. Crie uma comunidade e seja este líder. CMO significa Chief Movement Officer, e não mais Chief Marketing Officer: você precisar criar e liderar um movimento.

Ninguém irá se juntar a uma tribo chata. Seu software não pode ser chato, ele precisa conectar as pessoas. O custo marginal de um software como serviço entregue online é zero, portanto, software chato sempre será oferecido a alguém de graça. Ninguém assiste boliche porque o melhor resultado a que se pode chegar é 300. É muito previsível.

O Marketing atual é baseado na conectividade entre as pessoas. Esta conectividade gera valor perceptível? Há uma forma fácil de alguém que se beneficia de seu software recrutar outra pessoa para participar? Seu produto é suficientemente fácil de se usar, mas suficientemente fechado para não se tornar uma commodity de custo zero? Uma vez que você obteve permissão para se comunicar, descubra se as pessoas estão dispostar a pagar por aquilo que você oferece.

As escolas mecanizam as pessoas, tentando obter ganho de escala e baixo custo. As escolas treinam as pessoas para se adequarem à sociedade, para que possam ser ignoradas. As escolas públicas foram feitas para as pessoas se conformarem com o trabalho nas fábricas e plantações. Hoje, qualquer um tem uma fábrica a tiracolo: seu notebook!

Lembre-se: a primeira pessoa que colocou um mictório numa galeria de arte foi um artista e é lembrado por isso, a segunda foi um encanador que ninguém conhece. Temos que ser artistas. Ter nota alta na escola prova que você é um você é bom na escola, não que você é um artista.

Você não é artista se cobrar por sua arte. Quando você cria uma obra de arte, as pessoas lhe pagarão por outras coisas.

Se o custo marginal é zero, grátis é a melhor ferramenta de marketing que existe. Algo grátis é bom apenas se leva a uma venda.

Se você é capaz de escrever a especificação de algo, não perca tempo fazendo, contrate um freelancer competente para isso. Cerque-se de pessoas brilhantes, não de pessoas competentes. Contrate as pessoas insubstituíveis.

O próprio Seth Godin escreveu um post em seu blog sobre o negócio do software, Business of Software, resumindo sua apresentação.

#BoS2010 – Começa amanhã!

Assim como no ano passado participei da conferência Business of Software (#BoS2009), que, além de ter sido muito interessante, gerou diversos posts neste blog, cá estou novamente em 2010, portanto, aguarde muita movimentação por aqui nas próximas semanas!

E, para relembrar os assuntos do ano passado, seguem os posts:

- http://gerentedeprodutos.com.br/2009/11/business-of-software-2009-bos2009/

- http://gerentedeprodutos.com.br/?s=bos2009&x=0&y=0