Se você quer ser um mau Gerente de Produtos, não se preocupe em medir os resultados do do desenvolvimento de produtos. Apenas inclua novas funcionalidades, e não veja se elas fazem diferença. Se um cliente pediu, deve valer a pena fazer. Se as pessoas não gostam, ou se está atrapalhando o produto, você certamente irá ouvir rapidamente. Além disso, o mercado e a competição estão mudando tão rapidamente, que você não tem tempo de medir o impacto de novas funcionalidades depois que são implementadas. Uma vez que o trabalho está feito, você já precisa focar sua atenção no próximo conjunto de funcionalidades a incluir.
Se você quer ser um bom Gerente de Produtos, meça o impacto das mudanças implementadas no produto. Gerentes de Produto devem constantemente avaliar as mudanças feitas ao produto e medir se foram bem sucedidas.
Freqüentemente, Gerentes de Produtos implementam novas funcionalidades, ou fazem outras mudanças ao produto sem um verdadeiro conhecimento do porquê estas mudanças serem feitas. O Gerente de Produtos pode pensar que tem uma razão lógica para pedir a mudança – um cliente específico pediu, um engenheiro sugeriu, a gerência executiva pediu – embora isto seja apenas parte do todo.
Mesmo que haja uma razão legítima para que as mudanças sejam feitas (e bons Gerentes de Produto devem saber que nenhuma das razões acima são verdadeiramente legítimas por si só), o Gerente de Produtos tem a responsabilidade de ir vários passos à frente e quantificar o impacto das mudanças. Embora isso possa parecer que está apenas criando mais trabalho para o Gerente de Produtos, na verdade isso torna seu trabalho muito mais fácil. Gerentes de Produto precisam ser capazes de quantificar o ‘sucesso’ de qualquer mudança, e descartar mudanças que tenhan menor probabilidade de serem bem sucedidas, e medir todo trabalho que é implementado. Isto permite com que o Gerente de Produtos garanta uma maior probabilidade de sucesso, e também mostre o impacto das mudanças, para conquistar o apoio ao solicitá-las.
Além de ter uma idéia e implementá-la, há vários passos que Gerentes de Produto devem seguir antes de se envolver no desenvolvimento do produto:
1. Definir o impacto esperado das mudanças: Diferentes produtos e diferentes mudanças terão diferentes impactos, embora algumas medições populares sejam:
a. Aumento no uso;
b. Aumento na receita dos clientes existentes;
c. Aquisição de novos clientes;
d. Melhora na taxa de retenção de clientes;
e. Melhora na satisfação do cliente;
f. Aumento no market share;
g. Servir de referência em blogs, cobertura de mídia ou relatórios de analistas especializados;
2. Estabelecer objetivos para as mudanças. Uma vez que você tenha definido as métricas específicas, o próximo passo é explicitamente esclarecer o que você espera que esta mudança consiga realizar. Bons objetivos são objetivos SMART (ou objetivos MT, se você preferir), deixando claro se o objetivo foi alcançado ou não.
3. Determinar como o impacto será medido. Embora você possa saber o impacto que você espera ou deseja ver, e tenha um objetivo quantitativo especifico em mente, você deve ser capaz de medí-lo para avaliar seu sucesso. Por exemplo, se você considera incluir uma nova funcionalidade em seu site, e seu objetivo é que 10% de seus clientes utilizem esta funcionalidade do site em até 30 dias após seu lançamento, você precisa der ferramentas de estatísticas para web preparadas para medir se este objetivo foi atingido ou não. Embora pareça óbvio, muito freqüentemente o trabalho de se medir o impacto da mudança não é considerado até que seja muito tarde no processo de desenvolvimento para que as medições sejam postas em prática, ou, até pior, depois que a mudança já foi implementada.
4. Meça o impacto e avalie objetivamente. Depois que a mudança é implementada, compare seus resultados reais com os esperados. Os resultados foram alcançados? Por que, ou por que não? O que poderia ter causado estes resultados? Há necessidade de mudanças adicionais? O que foi bem feito e pode ser replicado em outras mudanças de produto? O que você aprendeu que poderia aumentar seu sucesso no futuro?
Muitos resistem a este processo por diversas razões. Há muitas objeções e respostas comuns:
• Objeção: “Dá muito trabalho percorrer todos estes passos para cada funcionalidade! Não podemos definir o impacto, estabelecer objetivos, criar as métricas, e então medir tudo o que fazemos! Se fizéssemos, lançaríamos apenas uma pequena parte das mudanças que fazemos atualmente.” Boa! O trabalho do Gerente de Produtos não é fazer mudanças ao produto somente para dizer que está fazendo mudanças. Os produtos devem ter metas, e o Gerente de Produtos deve focar em atingir e ultrapassar estas metas. Adicionar novas funcionalidades não é um objetivo; aumentar a receita é um objetivo. Se este processo diminui um pouco o ritmo do processo, pode ser algo bom. Em vez de gastar dinheiro em 10 novas funcionalidades medíocres, o dinheiro pode ser gasto em uma única que tenha um impacto muito maior do que estas 10 combinadas.
• Objeção: “Não queremos definir metas se não temos certeza de que podemos cumprí-las.” Se a meta de uma nova funcionalidade é incrementar o faturamento em 10%, e sua nova funcionalidade incrementa a receita em 5%, você não atingiu sua meta, embora tenha causado um aumento de 5% na receita! É claro, ficou abaixo do objetivo, embora você esteja bem melhor do que estava antes. Em vez de criticar a incapacidade de atingir a meta, avalie se a meta era realista, o que poderia ter sido feito diferente para atingí-la e que mudanças podem ser feitas agora para alcançar e meta, e o que pode ser feito diferente no futuro.
• Objeção: “Não temos uma forma de mensurar o impacto das nossas mudanças.” Algumas mudanças são mais difíceis de serem medidas do que outras, e pode não ser prático ou válido medir cada pequena mudança minúscula no produto. Entretanto, sem métricas e medidas, Gerentes de Produto estão “voando às cegas”. Mudanças de produto precisam que organização invista tempo, dinheiro e outros recursos, e há um retorno esperado neste investimento que, cedo ou tarde, você terá que demonstrar. Estabelecer e acompanhar métricas permitirá que você crie um produto melhor e identifique problemas mais cedo. É de interesse do seu produto, de sua organização, de seus clientes e de você, como Gerente de Produtos, determiner como estas pedidas podem ser postas em prática.
• Objeção: “Não conseguimos concordar em quais deveriam ser os impactos e metas.” Se este é de fato o acaso, então evitar estes passos não resolverá o problema. O processo pode ser difícil de começar, embora a equipe só vá melhorar com o tempo. Pode não ser possível obter concordância total sobre todos os detalhes, embora passar pelo processo irá identificar em quais metas não há alinhamento. Por exemplo, o gerente de marketing pode querer implementar mudanças que gerarão mais clientes para uma aplicação web, enquanto um engenheiro pode querer implementar mudanças que irão deixar a aplicação mais rápida. Neste caso, chegar num acordo geral nas áreas em que deve-se focar seria bastante benéfico.
Ainda sob a luz destas objeções, há valor em passar pelos primeiros dois passos apresentados acima mesmo que não haja forma efetiva de passar pelos passos 3 e 4 ainda. Discutir o impacto esperado e definir as metas com os stakeholders relevantes é um exercício incrivelmente proveitoso. Mais do que apenas discutir sobre os detalhes de como uma mudança será feita, como geralmente acontece, você focará a conversa no porquê de a mudança ser feita. Ter o hábito de passar por esse processo é benéfico, mesmo que não seja possível de acompanhar completamente ou passar por todas as medições, isto pode criar uma mentalidade sobre como abordar a evolução do desenvolvimento do produto.
Implementar métricas e medições pode ser um passo intimidador e uma sobrecarga para o Gerente de Produtos. No entanto, se feito adequadamente, pode levar potencialmente a enormes melhorias no produto. Tornará o desenvolvimento do produto menos contencioso e mais baseado em evidências, levando a um processo mais eficiente e efetivo de gerenciamento. Além disso, pode tornar a você, como Gerente de Produtos, mais efetivo, uma vez que seu tempo e seus esforços estarão focados em áreas que trarão valor, e você poderá mostrar o valor que você criou – uma verdadeira medida de um bom Gerente de Produtos.
Esta é uma tradução do conteúdo escrito por Jeff Lash (http://www.jefflash.com/) no How To Be A Good Product Manager (http://www.goodproductmanager.com/)