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Por que um Mercado Real de Poucos é Melhor que um Mercado Mítico de Milhões

Sempre converso com empreendedores que se mostram muito animados com suas idéias porque “… a oportunidade de mercado consiste em milhões de clientes!”. Esta linha de pensamento leva a uma conclusão assim “Como o mercado consiste de milhões de compradores potenciais, tudo que preciso fazer é abocanhar 1% deste mercado e minha iniciativa será um enorme sucesso!”

Acho que muitos empreendedores caem nesta armadilha do “mercado de milhões”. Embora não haja nada de errado em eventualmente ter uma grande oportunidade de mercado (até mesmo encorajo, e os investidores exigem isso). Acho que o sucesso está muito mais ligado à capacidade de a startup identificar (e vender para) cliente individuais o mais cedo possível, ao invés de esperar para atender a um mercado muito maior.

Além disso, na argumentação do “1% de um grande mercado”, a probabilidade de se abocanhar 1% de um grande mercado é quase zero. Ou você não pega porção nenhuma do mercado, ou será uma parcela bem mais significativa. É raro que startups conquistem 1% (ou alguma outra pequena porcentagem) de um mercado de massa.

Por que um Mercado Real de Poucos é Melhor que um Mercado Mítico de Milhões
1. Se você construir um produto que atende a alguns clientes *reais*, é improvável que sua oportunidade esteja limitada apenas estes poucos. Você provavelmente encontrará uma forma de extrapolar e atingir a mercados maiores em seguida.

2. Focando num mercado menor de clientes potenciais reais, você tem de fato uma chance de vender-lhes algo. Se você for atrás de um mercado de milhões, é fácil cair no erro de pensar que “estou investindo para o longo prazo e construindo algo que será encantador para as massas depois…”. Acredito que suas chances são bem melhores se você tiver algo vendável a poucas pessoas *hoje* do que um produto hipotético que teoricamente atrairá a milhões de pessoas depois.

3. O custo de aquisição de clientes parece ser proporcional a amplitude do mercado que você está perseguindo. Isto não é surpresa. É mais caro atingir a um mercado amplo com uma mensagem significativa que venderá algo do que um mercado pequeno e contido. É mais fácil obter dados de um mercado pequeno, mais fácil dirigir-se a ele, mais fácil de convencer e mais fácil de encantar (trazendo assim indicações de clientes).

Agora, há um grande risco em ir atrás de um mercado menor e mais contido: se você não for cuidadoso, pode cair da armadilha das “soluções customizadas”. Isto ocorre quando você está tão focado nas necessidades dos poucos que você mal tem tempo de se preocupar com uma eventual expansão para o mercado de milhões. É um das razoes pelas quais me refiro ao “mercado de alguns” e não “mercado de um”. Um mercado de um é perigoso – já que há uma grande chance de você cair na armadilha das soluções customizadas. Mas, assim que você tentar atender às necessidades de dois ou mais clientes reais, as chances de cair nesta armadilha diminuem. A dica é encontrar o equilíbrio ideal: um mercado suficiente para que você crie algo relevante para muitos, mas não tão grande que se torne hipotético.

Seja técnico, sem ser um tecnólogo

Gerentes de Produto devem focar no “que” e não no “como”. O papel do Gerente de Produtos é definir o que precisa ser feito para fazer o produto melhor, mais rápido, mais forte, mais barato, etc.

O “como” essas coisas devem ser feitas deve ser função da Engenharia ou da Gerência Sênior. OK, não é assim simples! Algumas vezes os Gerentes de Produto devem se preocupar com o “como”, mas normalmente no contexto de uma discussão de implementação com a Engenharia, ou de uma alocação de recursos com a Gerência Sênior.

Mas pensar sobre o “como” durante a fase de requisitos pode ser fatal para Gerentes de Produto. Não caia na armadilha de se colocar na perspectiva da Engenharia até, e não ser que, seja absolutamente necessário. Vi isto acontecer com Gerentes de Produto conhecedores da parte técnica que decidem (prematuramente) que um requisito não será apresentado devido a uma restrição técnica no código atual. Ou que durante a revisão de um requisito, algo importante se torna menos importante pelo mesmo motivo.

Minha pergunta é por que você, o Gerente de Produtos, se preocupa se o requisito é suficientemente importante? O requisito deve ser claro e desafiador. Desafie o time de Engenharia a vir com uma solução, ou trabalhe com eles se sua orientação é necessária, mas não desista devido a motivos técnicos.

As necessidades dos clientes e do mercado, e não as restrições da Engenharia devem dirigir os requisitos. Mas dado que muitos Gerentes de Produtos são, eles próprios, oriundos da Engenharia, ou tem um histórico bastante técnico, é difícil se segurar para não cruzar a barreira que os separa da “zona da implementação”. Uma vez que isso acontecer, caso você não se policie, você estará perdido, pois pode ser difícil voltar desta “zona”.

Trabalhei com um Gerente de Produtos, bem mais novo e bem mais técnico que eu, que não apenas falava dos requisitos, mas também debatia soluções potenciais nas reuniões de revisão de requisitos. Dados que ele tinha um passado técnico e não gastava muito tempo falando com clientes/parceiros/prospects/etc., o que mais ele poderia fazer? Não preciso dizer, ele não durou muito na função.

Quando chega a hora da implementação, se um requisito é suficientemente importante, mas há uma restrição técnica ou de recursos, as organizações mais racionais irão descobrir como fazer a coisa certa desde que você apresente a causa suficientemente bem. Eu digo “organizações racionais”, pois nem todas as organizações são racionais; pelo menos não do ponto de vista de negócios, e não farão necessariamente o que certo para o mercado. Se este é o caso na sua empresa, pode ser que é hora de procurar um novo emprego, para que você evolua em sua carreira e possa aplicar sua energia e seus conhecimentos em algo mais produtivo.

Diga Muito Obrigado

Se você quer ser um mau Gerente de Produtos, não perca tempo expressando sua gratidão. Não agradeça os membros da equipe nem seus pares por fazerem aquilo pelo que são pagos para fazer em todo caso. Eles não devem ficar acostumados a receberem agradecimento apenas por fazer o seu trabalho. Não agradeça a equipe de vendas por trazer o feedback dos clientes. Afinal, você usará este feedback para tornar o produto melhor, o que tornará o trabalho deles ainda mais fácil. Não agradeça os clientes que gastam seu tempo falando com você. Você já lhes deu uma camiseta barata com o seu logo estampado – o que mais eles querem? Eles devem se sentir honrados por você tê-lo escolhido para ouvir, ao invés de tantos outros clientes que poderia ter chamado. Eles é que deveriam agradecer, certo?

Se você quer ser um bom Gerente de Produtos, certifique-se de expressar seu apreço regularmente. Há algumas razões pelas quais você deve querer agradecer àqueles que se reportam diretamente a você, seus pares, parceiros e clientes:

  1. Reforça os comportamentos que você quer que se repitam. Se um colega dá uma dica para um novo membro do time, encontra e corrige um problema, ou gasta algum tempo documentando algumas sugestões de mudança, agradecer-lhe é a melhor forma de aumentar a probabilidade de que ele faça isso novamente. Mesmo se a tarefa ou atividade é parte de seu trabalho, haverá uma maior probabilidade de a pessoa repetir o comportamento com maior freqüência quando percebe que alguém nota e aprecia.
  2. Reforça comportamentos que você quer ver também em outros membros da equipe. Nem todo elogio deve ser dado em público, mas quando você agrade um membro da equipe por uma atividade específica, num encontro ou apresentação os outros irão ouvir e o comportamento desejado provavelmente irá se espalhar.
  3. Faz com que seja mais provável que alguém vá te ajudar – e agradecer – em troca. Embora isso pareça muito egoísta, é de fato a essência de ser parte de um time de desenvolvimento de produtos. Todos precisam ajudar a todos. Especialmente como Gerente de Produtos, você precisa da ajuda e suporte de muitas pessoas e departamentos diferentes para entregar um produto de sucesso. No blog “Over at Slow Leadership”, Carmine Coyote escreve sobre The power of gratitude:

    Agradecer aos outros e reconhecer o quanto dependemos do suporte e cooperação faz com que seja muito mais provável que suporte e cooperação estarão disponíveis quando você precisar. Aqueles que ajudam os outros mais freqüentemente serão certamente os que mais serão ajudados quando precisarem – dado que a gratidão seja reconhecida pelo que de fato é: parte integrante fundamental na “cola” que mantém unidos grupos de todos os tamanhos, desde alguns amigos até a sociedade como um todo.

  4. Torna mais provável que alguém irá te perdoar caso você cometa algum erro. De novo, não no sentido de egoísmo, mas apenas para apontar a realidade de que todos cometem erros, e as pessoas são mais propensas a perdoar o seu erro caso você perdoe os delas, e aprecie suas benfeitorias. Também do artigo The power of gratitude:

    Um cliente que se sinta agradecido, provavelmente será mais tolerante com futuros problemas e continuará fiel apesar das tentações oferecidas por concorrentes. Um empregado agradecido terá menor probabilidade de se demitir em tempos difíceis. Colegas agradecidos trabalham juntos. Patrões agradecdos confiam mais nas pessoas e tem mais confiança delas.

  5. Por último, e talvez o mais importante: é a coisa certa a se fazer. Não há um ROI explícito que pode ser calculado. Não há regra de RH que cubra isto. Agradecer às pessoas quando elas fazem algo bom – mesmo se é parte de seu trabalho, mesmo que seja algo que esperado, seja algo que você havia pedido ou não – simplesmente é coisa certa a ser feita.

Dizer obrigado não é tão difícil. Deve ser mais que um simples “Valeu!”, mas não precisa ser um discurso detalhado. Agradeça à pessoa, diga porque você está agradecendo e como você, ou o produto, ou a empresa, ou qualquer um que seja, será beneficiado com o que ela fez. Aqui vai um exemplo simples: “Joe, queria te agradecer por encontrar aquele bug no sistema ontem. Se você não tivesse achado, teríamos perdido um dia inteiro esperando um novo build do projeto. Você realmente fez com que economizássemos um tempão e isso vai ajudar a manter o projeto dentro do prazo. De novo, obrigado, apreciei mesmo, e sei que todo mundo também apreciou.” Pode ser simples assim!

Agradecer a alguém verbalmente, por e-mail, ou por uma nota escrita (sim, a mão, com lápis e papel – saber escrever notas de agradecimento “de verdade” é uma arte importante!), o importante é que você esteja expressando honesta e genuinamente seu agradecimento por um comportamento ou ação. Expressar gratidão real não custa nada e se pagará com dividendos para todos no longo prazo. Citando Carmine Coyote mais uma vez, “O bônus de hoje pode se tornar a expectativa de amanhã, mas gratidão genuína pode durar por uma vida inteira.”

Esta é uma tradução do conteúdo escrito por Jeff Lash (http://www.jefflash.com/) no How To Be A Good Product Manager (http://www.goodproductmanager.com/)

Gerencie Problemas e Riscos

Se você quer ser um mau Gerente de Produtos, ignore riscos e problemas. Tente fingir que eles não existem, e torça para que vão embora. Não conte sobre eles para outras pessoas – especialmente seus superiores – uma vez que, se eles descobrirem, você parecerá um fraco que não consegue controlar seu próprio produto. Minimize as chances de riscos se tornarem problemas, e minimize o impacto dos problemas que apareceram. Você quer que tenham a impressão de que você sabe o que faz, e não será assim se as pessoas focarem nas coisas que estão dando errado.

Se você quer ser um bom Gerente de Produtos, identifique e gerencie pro-ativamente os riscos e problemas. Gerentes de projeto sabem isso, e Gerentes de Produto também deveriam sabê-lo. Embora seja mais frequentemente responsabilidade do gerente de projetos, Gerentes de Produto não podem simplesmente jogar esta carga para o gerente de projetos e manterem-se afastados da situação. Em vez de tentar ignorar ou minimizar riscos, Gerentes de Produto podem trabalhar com gerentes de projeto para confrontar estes riscos e problemas antecipadamente.

Problemas são quaisquer coisas que impactam seu produto ou projeto negativamente, e riscos são quaisquer coisas que tem o potencial de impactar em seu produto ou projeto negativamente. Você precisa evitar que os riscos se tornem problemas, e evitar que os problemas tenham impacto negativo.

Tradicionalmente, riscos e problemas são discutidos no escopo de um projeto específico – um novo produto sendo desenvolvido, melhorias em um produto existente, a extensão de uma linha de produtos. Entretanto, Gerentes de Produto também monitoram riscos e problemas de seus produtos no mercado. Isto geralmente é feito como parte de uma análise SWOT (forças, fraquezas, oportunidades e ameaças), mas SWOTs tendem a ser feitas uma vez, como um retrato de certo instante determinado. Acompanhar riscos e problemas de seu produto semanal ou mensalmente pode ajudar a evitar que você seja pego desprevenido por um novo competidor, por uma mudança de mercado, ou por outros fatores que possam representar problemas para seu produto.

Identificar riscos e problemas cedo e apontá-los pode ajudar a resolvê-los cedo. Pode haver coisas simples que você, ou outros no time de desenvolvimento podem fazer para minimizar a probabilidade e o impacto dos riscos ou para mitigar problemas. Pode ajudar a mostrar evidências da necessidade de suporte adicional de outros na sua organização – mais verba, mais recursos ou mais assistência. Comunicar proativamente o impacto dos riscos potenciais que estão fora de seu controle permitirá que você, e os demais, planejem como reagir caso estes riscos se tornem problemas mais sérios. Os stakeholders podem não ficar felizes com estes problemas, mas pelo menos não serão surpreendidos e podem ajudar a encontrar soluções.

Um projeto ou produto bem sucedido não é aquele em que não há riscos ou problemas. Projetos e produtos bem sucedidos são aqueles em que há muitos riscos e problemas, mas o Gerente de Produtos e o Gerente de Projetos são capazes de trabalhar conjuntamente para identificar, endereçar, e mitigá-los, e ainda assim entregar um produto de sucesso.

Esta é uma tradução do conteúdo escrito por Jeff Lash (http://www.jefflash.com/) no How To Be A Good Product Manager (http://www.goodproductmanager.com/)

Encontre ferramentas que suportem sua prática como Gerente de Produtos

Se você quer ser um mau Gerente de Produtos, insista em encontrar o software perfeito para utilizar na gerência de produtos. Gaste meses avaliando diferentes soluções e comparando funcionalidades. Encontrar a ferramenta certa é importante, pois pode resolver todos os seus problemas em gerir produtos. O software ideal existe, e você irá encontrá-lo se investir tempo suficiente para isto.

Se você quer ser um bom Gerente de Produtos, encontre boas ferramentas que suportem suas necessidades. Software que ajuda você a coletar feedback de clientes, gerenciar requisitos, e planejar roadmaps é benéfico aos Gerentes de Produto. Entretanto, ótimas ferramentas não servem para maquiar um mau gerenciamento de produtos, e ótimos Gerentes de Produto podem fazer trabalhos fantásticos sem ótimas ferramentas.

Esportes são uma boa analogia para a utilidade de ferramentas para gerenciamento de produtos: o gerenciamento de produtos de software são como os tacos para os jogadores de golfe. O Tiger Woods ainda seria um bom jogador se tivesse tacos velhos e mau-tratados? Provavelmente – talvez não tão bom como é atualmente, mas certamente estaria entre os melhores. E se eu comprar os mesmos tacos que ele usa, conseguirei jogar da mesma forma? De jeito nenhum! As ferramentas alavancam nossa capacidade, mas não as substituem.

Há jogadores de golf que gastam muito tempo procurando por novos tacos, bolas e outros acessórios na esperança de magicamente corrigir seu jogo, quando eles teriam beneficio muito maior ao investir seu tempo e energia em treino e prática. Para Gerentes de Produtos, não há problema em encontrar boas ferramentas, mas há um problema quando se foca demais em ferramentas e não em outros deveres da gerência de produtos. Nenhum software pode substituir uma saída do escritório para escutar aos clientes, conversar cara-a-cara com a equipe de desenvolvimento, e pensar estrategicamente sobre a visão de seu produto.

Por último, há centenas de jogadores de golf profissionais, cada um com diferentes tipos de acessórios. Não há dois com os mesmos equipamentos. Se há um conjunto perfeito de ferramentas, por que ninguém usa? Provavelmente porque diferentes ferramentas servem para diferentes pessoas.

As necessidades de equipamentos mudarão de acordo com seu skill, suas preferências, suas forças e fraquezas, bem com as condições de trabalho. O mesmo vale para o gerenciamento de produtos – o que é apropriado para uma pequena startup de software pode não funcionar para uma seguradora multinacional.

Mesmo dentro da empresa, diferentes produtos podem ter diferentes necessidades, dependendo do tamanho do produto, do time de desenvolvimento de produto envolvido, dos diferentes papéis e responsabilidades, e outros fatores. As melhores práticas devem ser compartilhadas, mas não forçadas caso não se adeqüem.

Como Gerente de Produtos, você deve investigar quais diferentes tipos de ferramentas suportam suas atividades de gerência de produto. Digo “ferramentas” e não “software”, pois as melhores ferramentas para uma situação específica podem ser os Post-Its e cartões indexados. Excel e Access ou ferramentas open source podem funcionar bem para outras situações. Muitos bons pacotes de software, feitos especialmente para a gerência de produtos existem e podem merecer serem avaliados.

Encontrar as ferramentas certas é importante, mas não substitui sólidos skills e competências na gerência de produtos. Mais do que tentar encontrar a solução “perfeita” (que não existe), procure por boas ferramentas que irão suportar e melhorar sua prática de gerência de produtos.

Esta é uma tradução do conteúdo escrito por Jeff Lash (http://www.jefflash.com/) no How To Be A Good Product Manager (http://www.goodproductmanager.com/)

Gerência de Produtos Vs Marketing de Produtos

Pesquisas da indústria demonstram que 9 a cada 10 lançamentos de produtos falham, no sentido de não atenderem aos seus objetivos. Não sei se esta é a estatística exata ou não, mas aposto que não está longe disso. Acredito fortemente que a maioria dos lançamentos seja mal concebida. Incontáveis ciclos de releases são desperdiçados em produtos que não são úteis ou “usáveis”. Há muitas razões para isto, e cada artigo que escrevo tem como objetivo endereçar um aspecto diferente. Há algum tempo defendo que estes releases desperdiçados geralmente têm a ver com como papel de Gerente de Produtos é definido em sua empresa, e as habilidades da pessoa que você escolheu para este papel.

Quero escrever este artigo já tem um ano. É um tópico que tenho pensado há um bom tempo, mas que considero critico e importante, já que tem a ver com o core do trabalho do Gerente de Produtos. É difícil escrever porque não sei quão difícil é tentar obter uma mudança na indústria, na forma com que ela pensa nos papéis, e até mesmo mudar a nomenclatura que utiliza para falar sobre estes papéis.

Antes de começar, para explicar esta questão, definirei alguns termos, totalmente ciente de que estas definições contradirão seu uso em muitas empresas. Defino o papel do Gerente de Produtos, antes de tudo, como a pessoa responsável por definir – em detalhes – o produto que a equipe de engenharia irá construir. Defino o papel da pessoa de marketing de produtos como o responsável por contar ao mundo sobre este produto.

Mais sobre cada papel logo abaixo, mas, como você pode ver, são trabalhos extremamente diferentes.Para deixar claro desde o princípio, defendo que todo produto precisa de um único Gerente de Produtos responsável pela definição do produto (a combinação de requisitos e a experiência do usuário que descreve o produto a ser construído).

No entanto, infelizmente, com bastante freqüência, quando começo a trabalhar com uma empresa, encontro uma das seguintes três situações:

1) Há alguém de marketing de produtos, ou com o título de Gerente de Produtos, responsável pelos requisitos de alto nível do produto, e então o produto vai diretamente para a área de engenharia. Pula-se a fase de requisitos detalhados do produto e as diversas decisões associadas a esta fase (e também, frequentemente, pula-se a fase de design de experiência do usuário, embora este seja um tópico abordado em artigos anteriores).

2) O papel de definição de produto é dividido entre uma pessoa de marketing de produtos responsável pelos requisitos de alto nível, e um Gerente de Produtos responsável pelos requisitos de baixo nível.

3) Uma pessoa de marketing de produtos tem como função realizar os dois papéis (e a empresa às vezes chama esta pessoa de Gerente de Produtos, às vezes de marketing de produtos).

Vamos discutir cada uma destas situações problemáticas:

Gerência de Produto voltada para o Marketing

A situação é fácil de identificar. O restante do time enxerga esta pessoa como alguém de marketing, que pode ser útil para fazer os data sheets, treinar a força de vendas e definir nome e preço para o produto, mas, em termos de definição de produto, esta pessoa é amplamente ignorada e desconsiderada. Há diversas charges do Dilbert retratando esta pessoa, e todos conhecemos este tipo de Gerente de Produtos. Embora estas pessoas possam ser ótimas no marketing, elas não são capazes de definir os detalhes de um produto útil e amigável.
Nesta situação, espero, alguma outra pessoa do time de desenvolvimento se destaca e faz o papel real de gerência de produto, algumas vezes um líder da equipe de engenharia, às vezes um designer e às vezes um gerente. Se a pessoa tiver capacidade e também disponibilidade, o produto pode ainda ser bem sucedido. Mais frequentemente, no entanto, o produto terá problemas desde seu início.

A primeira vez que me deparei com o gerenciamento de produtos foi nesta situação, e, inicialmente, isto me afastou de querer ter alguma relação com este trabalho, mas então encontrei alguém que mostrou como de fato deveria ser o gerenciamento de produtos. Então minha reação foi renomear este papel para algo diferente, mas é uma batalha que percebi ter os seus próprios problemas, então, trabalhei para enfatizar o trabalho de Gerentes de Produto bem sucedidos e para redefinir o papel destas pessoas.

Duas pessoas, Um papel

Esta situação também é fácil de ser identificado, já que não há um único “dono” do produto. Uma pessoa de marketing de produtos (algumas vezes, neste modelo, conhecida por “dono” da área negócios) e responsável pelos requisitos de negócios de alto nível, e um Gerente de Produtos é responsável pelos requisitos de baixo nível. O problema é que nenhum dos dois realmente é o “dono” do produto, e, mais que isso, nenhum dos dois se sente como responsável, em última instância, pelo produto. Além disso, este modelo se baseia numa visão distorcida do software, que acredita que você pode definir requisitos de alto nível independentemente dos requisitos de baixo nível, especialmente a experiência do usuário. Neste modelo, os Gerentes de Produtos se tornam essencialmente geradores de especificações. É um trabalho frustrante que tende a bloquear inovações e raramente gera produtos vencedores.

Muitas empresas grandes, com múltiplas unidades de negócios, chegam nesta situação e se perguntam o porquê de não desenvolverem mais produtos inovadores que seus clientes amem.

Uma pessoa, Dois papéis

O problema em combinar o papel do Gerente de Produtos com o de marketing de produtos é que é muito difícil encontrar alguém que possa fazer bem os dois tipos de trabalho. Cada um destes papéis é crítico, e cada um requer skills e talentos especiais. Criar um produto é muito diferente de dizer ao mundo sobre este produto. Conheci algumas pessoas excepcionais que atingiram a excelência em ambos os papéis, mas estas pessoas são muito raras e, num modelo organizacional, não servem como modelo. Além disso, para todos os produtos, exceto os mais simples, o papel do Gerente de Produtos é um trabalho de tempo integral e requer uma pessoa dedicada. Se você pedir à pessoa de marketing de produtos que assuma o papel do Gerente de Produtos, mesmo que esta pessoa tenha o talento e os skills necessários para ambos, é improvável que ela tenha tempo hábil para exercer bem as duas funções.

Isto é frequentemente um problema em empresas de software corporativo, em que o suporte à força de vendas é um trabalhoso por si só, e há uma forte tendência (percebida) de que os Gerentes de Produtos simplesmente repassam os requisitos dos grandes clientes dos representantes comerciais para os engenheiros. Quase nunca gera resultados em produtos “usáveis”.

É importante reconhecer que há razões para cada um dos modelos organizacionais descritos acima, mas defendo que as empresas estão sacrificando bem mais do que percebem. Estão gastando ciclos inteiros de desenvolvimento. Estão criando produtos que os clientes não querem, ou devem se esforçar muito para utilizar.

A saída para isso é definir claramente os diferentes papéis de Gerente de Produtos e Marketing de Produtos em sua empresa. O Gerente de Produtos é responsável por definir – em detalhes – o produto a ser construído, e validar este produto com clientes e usuários reais. A pessoa de Marketing de Produtos é responsável por dize ao mundo sobre este produto, gerenciar o lançamento do produto, prover ferramentas para os canais comerciais colocarem no mercado e venderem o produto, e por liderar campanhas de marketing tais como de marketing online.

Note que nada deste artigo deve ser entendido como se o papel marketing de produtos não seja importante. Aprendi que é sim, e que um ótimo marketing de produtos é extremamente valioso. Mas tem muito pouco a ver com o papel de Gerente de Produto que descrevi aqui.

Em geral, o Gerente de Produtos e a pessoa responsável pelo marketing de produto se comunicarão frequentemente e colaborarão ocasionalmente em tópicos específicos. Primeiro, a pessoa de marketing de produtos será uma das várias fontes de input para os requisitos de produto de responsabilidade do Gerente de Produtos. Em segundo lugar, o Gerente de Produtos será um das várias fontes de inputs para as mensagens de marketing elaboradas pelo marketing de produtos.

Qualquer que seja seu modelo organizacional, através de cada grande produto, prometo que você encontrará alguém responsável pela definição deste produto. Lembre-se que não importa quão boa seja a área de engenharia de sua organização, se você não lhes der algo útil e amigável para que construam.

Fonte: Silicon Valley Product Group
Autor: Marty Cagan

Mantenha-se a par do desenvolvimento de produtos ágeis

Se você quer ser um mau Gerente de Produtos, rejeite qualquer conhecimento sobre o desenvolvimento ágil de produtos. Provavelmente é apenas um complô dos maus grupos de engenharia para se livrarem da culpa quando não puderem fazer tudo que você pediu a tempo. Você gastou um bom tempo aperfeiçoando seus documentos de requisitos e entregando para o desenvolvimento. O motivo pelo qual as coisas não dão certo é porque eles não conseguem fazer seu trabalho direito, não porque você não consegue fazer o seu.

Se você quer ser um bom Gerente de Produtos, mantenha a mente aberta para as metodologias Ágeis no desenvolvimento de produtos. “Ágil” é na verdade um termo guarda-chuva para uma variedade de métodos diferentes para o desenvolvimento de produtos e gerenciamento de projetos.

O Manifesto Ágil descreve a proposição de valor do desenvolvimento Ágil:

  • Indivíduos e interações valem mais que processos e ferramentas
  • Trabalhar o software vale mais que documentação compreensiva
  • Colaboração com o cliente vale mais que negociação de contratos
  • Responsividade a mudanças vale mais que seguir um plano

Ou seja, embora haja valor nos itens à direita, valorizamos mais os itens à esquerda.
Muitas empresas estão adotando os métodos Ágeis para ajudá-las a serem mais responsivas às mudanças no mercado. Isto pode também criar melhores relações de trabalho entre os todos os membros do time, aumentar a responsabilidade compartilhada, manter os projetos com foco no cliente e nas necessidades de mercado, e, potencialmente, melhorar o time to market.

Alguns Gerentes de Produto temem o uso de metodologias ágeis no gerenciamento e desenvolvimento de produtos. As razões são diversas – pode ser falta de conhecimento sobre as metodologias, falta de interesse em trabalhar mais próximo do desenvolvimento, falta de capacidade para definir corretamente os “requisitos”, ou medo daquilo que eles acreditam que metodologias ágeis sejam devido à falta de informação sobre o que de fato são.

Gerentes de Produto precisam se educar sobre o Ágil antes de fazer um pré-julgamento sobre sua adequação. Processos ágeis funcionam para algumas situações, mas não para outras. A decisão de adotar uma abordagem Ágil não deve ser feita por um Gerente de Produtos ou de Engenharia sem o input dos demais. O sucesso das metodologias ágeis tem muito a ver sobre como sua implementação é feita tanto quanto sobre o fato de ser Ágil em si.

Como Gerente de Produtos, você deve manter a mente aberta para o gerenciamento Ágil de produtos. Eduque-se. Leia artigos e livros sobre o tema. Fale com outros que já tiveram sucessos ou fracassos com a metodologia. Tente você mesmo num projeto piloto. Se você decidir que metodologias Ágeis não são para você, tudo bem, desde que você tenha certeza de que a decisão foi tomada com base em informações práticas, não em falta de informação ou entendimento, nem em medo.

Nota: Há muito material sobre o gerenciamento Ágil de produtos; aqui estão apenas algumas poucas. Fique a vontade para posta outras fontes nos comentários deste post.

Esta é uma tradução do conteúdo escrito por Jeff Lash (http://www.jefflash.com/) no How To Be A Good Product Manager (http://www.goodproductmanager.com/)

Ataque os problemas mais importantes

Se você quer ser um mau Gerente de Produtos evite corrigir os problemas principais de seu produto. É claro, você sabe que o produto não funciona tão rápido quanto deveria, ou que a quantidade de espaço para armazenamento é menor do que os clientes realmente gostariam, mas há vários motivos pelos quais você não consegue corrigir estes problemas. Então, em vez deles, simplesmente inclua algumas outras funcionalidades ou atualize alguma outra funcionalidade do produto. Isso irá desviar a atenção das partes que não estão tão boas quanto deveriam, e dará ao seu pessoal de vendas e marketing algo para enfatizar.

Se você quer ser um bom Gerente de Produtos, ataque os principais problemas de seu produto. Se capacidade de armazenamento é importante para seus clientes, e a capacidade de armazenamento inadequada de seu produto está prejudicando as vendas ou a percepção dos clientes, conserte-a. Não finja que não é um problema. Não explique porque você não pode arrumar. Não faça outras atualizações no lugar. Confronte o problema diretamente. Se a questão for suficientemente séria, pode até mesmo ser apropriado colocar todos os outros projetos de lado até que o problema principal seja resolvido.

Imagine que você é o Gerente de Produtos para um carro de passeio. O sedan de nível médio possui assentos de couro, teto solar, ignição sem chave e um grande porta-malas. No entanto, o motor é muito fraco e o carro tem que sofrer para subir uma rampa quando leva alguns passageiros. Seu sedan perde mercado para um carro similar de um concorrente, que possui um motor adequado e menos acessórios, apesar do preço mais alto. O que você faz? Baixaria o preço, adicionaria um sistema de som estéreo de alta fidelidade ou melhoraria o desempenho do motor? Por mais óbvia que seja a resposta (conserte o motor, é claro!), há inúmeros produtos em que, às vezes, funcionalidades desnecessárias são incluídas como tentativa de compensar outras fraquezas.

Por que isto acontece? Depende, mas algumas das causas podem ser:

  • Gerentes de Produto e equipes de desenvolvimento de produtos estão tão “contagiados” pelo alto valor de seu produto, que não conseguem enxergá-lo de forma objetiva, como o cliente faria a partir de sua própria perspectiva.
  • Os problemas são difíceis de serem resolvidos, e os Gerentes de Produto acham que é mais fácil adicionar novas funcionalidades ou abaixar o preço.
  • Trabalhar em novas funcionalidades é mais excitante, interessante e recompensador, e pode ser mais reconhecido dentro da empresa.
  • Há uma crença, errada, de que algumas falhas do produto podem ser cuidadosamente disfarçadas através do bom marketing

Bons Gerentes de Produto confrontam problemas em seus produtos, especialmente aqueles que têm maior impacto na receita ou satisfação do cliente. Mais do que ignorar o problema, ou tentar evitá-lo, você deve ter certeza de que todo o time de desenvolvimento de produto esta ciente do problema e focado em resolvê-lo antes de avançar em outras áreas.

Esta é uma tradução do conteúdo escrito por Jeff Lash (http://www.jefflash.com/) no How To Be A Good Product Manager (http://www.goodproductmanager.com/)